Se eu pudesse voltar no tempo e impedir algumas coisas eu voltaria.. mas jamais mudaria o fato de ser sua filha..
houve tempo para falar de tudo e sentirmos tudo…
Eu sou extremamente grata pela sua vida e por vc ser minha mãe.. nosso amor, união, cumplicidade, amizade, cuidado uma com a outra foi uma das coisas mais lindas que vivi..
Hoje percebo que a senhora preenchia tudo.. nossas vidas, meus dias, minhas horas.. agora tá tdo vazio..
meu olhar te procura em cada canto da casa, tola eu, vc está em mim!
E mesmo que tenha me ensinado tudo, faltou a senhora me ensinar a viver sem sua presença, sem seus abraços e seus beijos.. ah maezinha, já sinto tanta falta..
Do chão vermelho de Curvelo,
veio um coração inteiro,
trazendo em si a fé da roça
e o sonho plantado em Brasília.
Maria, nome de flor e força,
Raimunda, mulher de raiz profunda.
Teceu com mãos pequenas um mundo imenso
de afeto, cuidado e acolhimento.
Fez da cozinha um altar sagrado —
temperava o arroz com alma,
abria panelas como quem abre os braços,
e ali, nos cheiros e sabores,
oferecia amor sem medidas.
Foi mãe como poucas,
daquelas que curam com um toque,
que entendem o silêncio,
que embalam a vida com mãos de anjo
e olhos de ternura.
Companheira leal, amiga verdadeira,
era presença que aquecia,
voz que acalmava,
colo que acolhia até em pensamento.
Agora, o céu tem cheiro de comida boa,
tem riso doce ecoando na brisa,
tem o seu nome sussurrado no vento
como uma prece,
como saudade que vira poesia.
Obrigada, mãe, por tanto.
Por tudo.
Por sempre.